POR QUE O ESTÁDIO INGLÊS PARECE UM PUB DEPOIS DO APITO FINAL?
- João Flaiban
- 12 de jul.
- 2 min de leitura
A música “Wonderwall”, do Oasis, se tornou uma espécie de hino para a Seleção da Inglaterra na Copa do Mundo.

Após as partidas desta Copa do Mundo, torcida e jogadores se alinham para entoar a música da banda britânica, deixando o estádio semelhante a um pub inglês num fim de tarde.
Antes da Copa do Mundo, cada país foi solicitado a enviar uma lista de reprodução de músicas para serem tocadas antes e depois dos jogos. É nesse contexto que a Inglaterra apresentou 'Wonderwall', juntamente com 'Sweet Caroline' de Neil Diamond e 'Hey Jude' dos Beatles.
“Hey Jude”, inclusive, quando cantada pela torcida, faz referência à Jude Bellingham, um dos principais nomes do time inglês. Entretanto, a que pegou mesmo foi o Britpop dos anos 90.

O curioso é que “Wonderwall” não surgiu por acaso como um símbolo da seleção inglesa. As músicas já acompanham a Inglaterra há algum tempo. Além disso, há toda uma cultura por trás. “Sweet Caroline”, por exemplo, foi também tocada e cantada por seus torcedores após as partidas da Eurocopa de 2020.
Embora Noel Gallagher nunca tenha dado um significado definitivo para "Wonderwall", muitos ingleses enxergam a música como uma representação de esperança, apoio e confiança. E é justamente esse sentimento que acabou sendo projetado sobre uma geração que tenta conquistar um título mundial que a Inglaterra não vence desde 1966.
A tradição de levar as músicas consigo não é exclusividade dos torcedores da seleção inglesa, até porque os mesmos fazem isso frequentemente quando vão torcer por seus clubes. Com a Inglaterra sendo o epicentro da revolução musical, seus moradores ainda carregam essas raízes.
Nas partidas do Arsenal, por exemplo, “The Angel”, de Louis Dunford, é entoada pela torcida como forma de abraçar o time e levar consigo o amor à região, uma vez que a música carrega a ideia de exaltar a região norte de Londres, onde ficam os Gunners.

Essa tradição se repete por toda a Inglaterra. O exemplo mais famoso talvez seja o Liverpool, que adotou “You'll Never Walk Alone”, icônica música de Gerry & The Pacemakers, como o canto que liga a torcida e o time.
No final das contas, a tradição de cantar em conjunto alguma música já existente e não uma nova como as torcidas tradicionais, não é exclusividade dos torcedores da Seleção inglesa. É uma tradição geracional que carrega um peso identitário consigo.



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