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O JOGADOR QUE FEZ A INGLATERRA OLHAR PARA OS MUÇULMANOS DE OUTRA FORMA

  • Foto do escritor: João Flaiban
    João Flaiban
  • 4 de jun.
  • 3 min de leitura

Estudos indicam que Mohamed Salah foi responsável pela diminuição dos casos de islamofobia na Inglaterra.


Mohamed Salah realizando o Sujud.
Mohamed Salah realizando o Sujud.

Segundo estudo da Universidade de Stanford, o número de casos preconceituosos contra muçulmanos na Inglaterra diminuiu quase 20% em Liverpool desde a chegada de Mohamed Salah aos Reds, em 2017.


O egípcio se despediu dos torcedores do Liverpool recentemente e confirmou sua saída do clube após quase 10 anos representando o emblema vermelho. Desde sua estreia, Salah soma 255 gols em 534 jogos, além de uma vasta coleção de 9 títulos, dentre eles, uma Champions League e duas Premier League. 

 

Porém, se tem algo que a torcida do Liverpool valoriza mais que títulos, é a identificação, tanto com o clube, quanto com a cidade. Liverpool respira futebol. Dentro da cidade mais industrializada da Inglaterra, os Reds surgem como um movimento político social, um espelho e grupo de pertencimento dos moradores. E se tem alguma coisa que Salah demonstrou nesses anos de glórias, foi o amor e a identificação.


Torcida do Liverpool homenageando Salah.
Torcida do Liverpool homenageando Salah.

 A admiração dos fãs pelo egípcio foi tanta que a forma de pensar de alguns mudou. Segundo estudo da Universidade de Stanford, Mohamed Salah foi o responsável pela diminuição dos casos de islamofobia, não só em Liverpool, mas na Inglaterra como um todo. 


Os estudantes acompanharam o que aconteceu em Liverpool depois que ele chegou em 2017. Leram 15 milhões de tweets, analisaram boletins de ocorrência e entrevistaram 8 mil torcedores. Resultado:  a região de Liverpool teve queda de 18,9%  nos crimes de ódio contra os muçulmanos. E os torcedores do Liverpool, no Twitter (X), cortaram pela metade as postagens anti-muçulmanas comparado com o torcedor de outros clubes.


Além disso, a análise conduzida pelo laboratório de políticas de imigração da Universidade concluiu que os tuítes anti-islamismo diminuíram em 53% desde a chegada do atleta, contando torcedores de todos os maiores oito times da Premier League. Nenhum outro tipo de ofensa teve tamanha queda no país. 


"Nossos resultados indicam que a exposição positiva de modelos de vida como Salah podem revelar novas informações que humanizam o grupo que pertence a uma larga escala “, disse o estudo.

 

Mohamed Salah nunca escondeu sua religiosidade. muçulmano, o astro egípcio é conhecido por sua devoção religiosa, frequentemente celebrando seus gols ajoelhando-se no gramado para orar, uma prática chamada Sujud.


Mohamed Salah realizando o Sujud.
Mohamed Salah realizando o Sujud.

Mais de 3 milhões de pessoas na Inglaterra (5% da população) praticam a fé islâmica, boa parte delas vive na região de Londres e são imigrantes ou filhos de imigrantes. Em bairros como Whitechapel, Limehouse, Poplar e Brick Lane, localizados no leste de Londres, os muçulmanos chegam a 45% da população local. Por lá, é comum ver letreiros de lojas em árabe e mulheres vestindo hijabs. 


Em 2017, um ataque terrorista atingiu justamente Londres. Um terrorista, conhecido como Khalid Masood, dirigiu um carro em alta velocidade, atropelando pedestres na Ponte de Westminster. Depois, bateu o veículo próximo ao Parlamento Britânico, invadiu o complexo e esfaqueou um policial até a morte. Tal ataque, ligado às ideias ocidentais midiáticas, provocaram um aumento alarmante, embora temporário, nos incidentes de islamofobia na capital britânica e, consequentemente, no país todo. A violência contra a comunidade muçulmana disparou significativamente logo após os ataques, expondo o impacto da radicalização de extremistas no cotidiano de minorias.


Homenagem às vítimas do atentado de 2017.
Homenagem às vítimas do atentado de 2017.

Todo esse ódio inglês gerou um ciclo de retaliação e forte aumento do sentimento anti-islâmico no país. Na madrugada de 19 de junho de 2017, durante o mês sagrado do Ramadã, uma van avançou deliberadamente sobre fiéis que haviam acabado de realizar as orações na rua Seven Sisters. O agressor, Darren Osborne, gritava que queria matar todos os muçulmanos e foi condenado à prisão perpétua.


Desde lá, denúncias de islamofobia, isto é, preconceitos contra muçulmanos, se tornaram constantes na terra da rainha e somente um jogador conseguiu ajudar a reduzir esse estigma, pelo menos em uma cidade. 


Se não bastasse, isso teve a campanha antidrogas no Egito em 2018. Em três dias depois que um vídeo de Salah falando sobre os perigos do uso das drogas saiu, as ligações para a linha de tratamento subiram 400%. O governo, inclusive, teve que correr para abrir mais vagas.


 
 
 

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