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Coletivos de torcedores apoiam manifestação pró-democracia em São Paulo.

Foto do escritor: João Flaiban
João Flaiban
13 de out.
3 min de leitura

Em meio a estudantes, fandoms e políticos, coletivos esportivos anti-fascistas também foram às ruas.


Na tarde do último domingo (11), as ruas da Avenida Paulista, em São Paulo, receberam cerca de um milhão de pessoas que manifestavam pela democracia, a favor da reeleição do presidente Lula (PT) e contra as ideias da extrema-direita bolsonarista que vem ganhando força nos últimos anos, conforme foi espelhado com o resultado do primeiro turno. A manifestação iniciou às onze horas da manhã e preencheu aproximadamente sete quarteirões da capital do estado. 


A “Marcha pela Democracia” foi organizada por um conjunto de grupos, como os movimentos estudantis, os fandoms de artistas, os aliados políticos de Lula e também as torcidas organizadas e coletivos de clubes de futebol em busca da virada no segundo turno.


Imagem: Reprodução "Metrópoles".
Imagem: Reprodução "Metrópoles".

Apesar da rivalidade que costuma dividir as arquibancadas do estado, o cenário na Paulista foi marcado pelo contraste entre camisas de clubes rivais lado a lado, mesmo em dia de derby. Nas redes sociais, integrantes de coletivos como “Chineiras”, “Coringão Antifa”, ”Bloco Tricolor Antifascista” e “Palmeiras Livre” deixaram a rivalidade de campo de lado para vocalizar pautas comuns, como a defesa do processo democrático e o combate ao fascismo.



Bel, uma das administradoras do “Chineiras”, página que foi a pioneira na junção de coletivos para o ato de domingo, contou um pouco sobre a fundação do grupo e a importância dele nos dias atuais. A página surgiu de memes e humor ácido no Twitter/X, idealizados originalmente pelo administrador conhecido como Pietro. A piada central consistia em associar figuras palmeirenses (como Abel Ferreira e outros) ao comunismo chinês. “O nome "Chineiras" é um trocadilho direto entre Palmeiras e China”, explica a administradora.


Com o tempo, a página passou a adotar um posicionamento político mais direto e engajado, defendendo pautas como a liberdade religiosa, a diversidade de povos tradicionais e a oposição à elitização. Bel enfatiza que na internet há uma "realidade paralela" que apaga a existência de torcedores pretos e periféricos do Palmeiras. Estar na rua, em manifestações e nos arredores dos estádios serve para tornar visível e palpável o que as pessoas duvidam na internet.


Imagem: Instagram "Chineiras".
Imagem: Instagram "Chineiras".

"É importante que as pessoas saibam que a gente existe. A gente deu a cara nas ruas para que as pessoas vejam que essa resistência é palpável e para dar voz a um público jovem que nem sempre se vê representado." — Bel, administradora do Chineiras 


Para o Chineiras, o antifascismo no Palmeiras não é apenas combater o fascismo dentro do clube, mas combater o fascismo ao lado de pessoas que compartilham da mesma paixão pelo futebol. 


O coletivo “Coringão antifa” também esteve presente na manifestação de domingo com a intenção de combater os avanços da extrema direita no país. Na legenda do post de divulgação, os administradores explicaram a razão pela participação.

 

Imagem: Instagram "Coringão Antifa".
Imagem: Instagram "Coringão Antifa".

“Nossa luta sempre foi maior que o futebol. Está em cada espaço onde o povo se organiza para enfrentar o autoritarismo, o racismo, a exploração e todas as formas de opressão.”, comentou o coletivo.


Thaís, uma das fundadoras do “Palmeiras Livre”, contou que estar nas ruas ao lado de outros coletivos antifascistas reafirma que suas atuações não se limitam aos estádios. Segundo ela, a defesa da democracia, dos direitos humanos e das liberdades individuais também fazem parte da responsabilidade coletiva. “Nossa participação mostra o compromisso histórico e a importância de ocuparmos espaços.”, explicou.


Imagem: Instagram "Palmeiras Livre".
Imagem: Instagram "Palmeiras Livre".

O coletivo nasceu em 2013 com a necessidade de construir um espaço de representatividade e enfrentamento à LGBTfobia, segundo a fundadora. Desde essa data, o “Palmeiras Livre” defende que o esporte também é um local de lutas por direitos, enfatizando o futebol como uma ferramenta social e política. Para Thaís, quando torcedores se organizam para enfrentar o racismo, a LGBTfobia, o machismo e o autoritarismo, mostram que as arquibancadas também são espaço para resistência, consciência crítica e construção coletiva.


Simbolizando o espírito do ato, uma imagem marcou a jornada na capital: dois torcedores, um vestindo a camisa do Palmeiras e o outro do Corinthians, abraçavam-se em meio à multidão fazendo o gesto do “L”, unindo as rivalidades centenárias em prol de uma causa comum. 


Imagem: Reprodução (X)
Imagem: Reprodução (X)

 
 
 

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